Eterno clássico do povo nordestino, a canção foi tachada de "música de cego".
"Não boto muita fé nessa música, porque é muito lenta, cantiga
de eito, de apanhá algodão", disse Luiz Gonzaga para Humberto
Teixeira. O advogado cearense quis letrar aquela toada folclórica
mostrada pelo amigo, mesmo com o receio dele. A grande parceria, que
estava no início, rendeu então seu terceiro fruto. No próximo disco
de Gonzaga, que traria a marchinha Vou Pra Roça no lado A, Asa Branca
poderia entrar no lado B – os 78 rpm tinham uma música de cada lado.
Em 3 de março de 1947
estavam Gonzaga e Teixeira, mais a banda, para gravar as novidades no
estúdio RCA, Rio de Janeiro. “Quando olhei a terra ardendo, qual
fogueira de São João...”, entoou o vozeirão. Eis que um dos músicos
pega um chapéu e vai passando entre os colegas. “O que é isso?”,
perguntou Humberto. “É que isso parece música de cego pedir esmola!”,
brincava o violonista Canhoto. Ele não se conformava que, depois de
tanto sucesso, o Rei do Baião estivesse cantando “moda de igreja”.
Eu vou pra roça com muié e fio / Vivê pertinho do paiol de mío /
Riscá a viola junto do paiol / A gente brinca até o nascer do sol.
Lembra dos versos? Remotamente, talvez. Assim que o disco foi
lançado, Vou pra Roça passou totalmente despercebida. Mas Asa Branca
estourou no ato, fazendo de Luiz Gonzaga um dos maiores astros da
música brasileira.
Eterno clássico, hino do povo nordestino, a
canção chegou a virar White Wings, em inglês. Teve mais de 500
regravações no mundo todo, em diferentes línguas. Humberto Teixeira
gostava de lembrar: “Aquele dia, no estúdio RCA, os músicos que
brincavam com a toada mal sabiam que estávamos gravando ali uma das
páginas mais maravilhosas da música brasileira."
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