sábado, 2 de junho de 2012

Baião


A dança que Luiz Gonzaga ensinou


"Eu vou mostrar pra vocês  Luiz Gonzaga
como se dança o baião
e quem quiser aprender
é favor prestar atenção"
(Baião, Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira, 1946)

  Como outros gêneros, o baião designou inicialmente um tipo de reunião festeira dominada pela dança. O folclorista Câmara Cascudo o associa aos termos "baiano" e "rojão". Este último seria o pequeno trecho musical executado pelas violas no intervalo dos desafios da cantoria. Quem imprimiu o formato urbano (e portanto pop) ao gênero foi o sanfoneiro pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989). Imigrante pobre no começo da década de 40, Gonzaga passava o pires nos bordéis do Mangue carioca enquanto tirava na sanfona valsas, sambas e serestas de sucesso na época. Estimulado por frequentadores conterrâneos anexou a seu repertório "coisas do sertão", entre elas o baião. Com o primeiro parceiro o fluminense Miguel Lima compunha mais mazurcas, calangos e ritmos adjacentes. Associado ao compositor e advogado cearense Humberto Cavalcanti Teixeira (1916-1979) obteve o respaldo poético telúrico que lhe faltava. Mas Teixeira admitia que a idéia tinha sido do parceiro. Em depoimento ao pesquisador Miguel Angelo de Azevedo, o Nirez, reproduzido no livro Vida do viajante: a saga de Luiz Gonzaga, de Dominique Dreyfus (Editora 34, 1996), ele garantiu que Gonzaga planejou meticulosamente o lançamento nacional do baião, junto com outros gêneros nordestinos.
  O ritmo binário do baião, vestido por melodias dolentes muitas delas em modo menor, foi devidamente estilizado, amaciado para o paladar urbano pelo sanfoneiro. Antes dele, o cearense Lauro Maia (Teles, 1912-1950), autor entre outros do sucesso Trem de Ferro, gravado por João Gilberto, fez a primeira tentativa de emplacar um gênero nacional a partir do nordeste, através do balanceio, gravado com algum êxito pela dupla Joel e Gaúcho (Marcha do Balanceio) e dos Vocalistas Tropicais (Tão Fácil, Tão Bom).
O sucesso de Gonzaga na empreitada foi tão grande que ele desequilibrou o eixo da MPB do meio para o fim dos anos 40 até meados dos 50. Antes o mercado musical era lastreado no samba, marchinha, choro e outros produtos do centro cultural do país, o Rio. A bordo de sucessos monumentais como o supracitado Baião e mais Asa Branca, Juazeiro, Paraíba, Qui nem Giló, Respeita Januário, Sabiá, Vem Morena, Baião de Dois, Imbalança, Noites brasileiras e inúmeros outros (além de xotes, xamegos, toadas, cocos, xaxados e até maracatu), Gonzaga colocou o nordeste no mapa (inclusive das vendas) da MPB. No auge, as prensas da gravadora RCA (atual BMG) onde era contratado, trabalhavam quase exclusivamente para seus discos. Além de Teixeira, Gonzaga teve outro parceiro fixo, o médico pernambucano José de Souza Dantas Filho, o Zé Dantas (1921-1962), responsável por obras primas como a toada A Volta da Asa Branca, A Dança da Moda (referência ao sucesso do baião), Riacho do Navio, Vozes da Seca, Cintura Fina, Algodão e alguns dos relacionados acima.

LP's

Nomes de Alguns LP's

Um pouco mais sobre Luiz Gonzaga

Luiz Gonzaga - 50 Anos de Chão           Não foram apenas cinqüenta anos de chão, foram também cinqüenta anos de céu. Com a sanfona de oito baixos e a voz soando a sertão, o cidadão pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento – Lula para os de casa, Luí para outros, Gonzagão para diferençar do filho também famoso, Luiz Gonzaga para o mundo – criou uma obra poético-musical única, inspirada tanto na sua vivência de sertanejo duro e sofrido como nos arrebatamentos românticos de homem sensível que ele decerto foi. Se cantou as terras secas e tristes cá de baixo, terras que seus pés de moço um dia pisaram...

Quando oiei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu:
"Ai, pru que tamanha judiação?"

... cantou também as imensidões iluminadas lá de cima...

Olha pro céu, meu amor,
Vê como ele está lindo
Olha pr’aqueles balão multicor
Como no céu vai sumindo.

E se cantou o orgulho ferido de caboclo que o Sul quis ajudar...

Mas, doutor, uma esmola
A um homem que é são
Ou lhe mata de vergonha
Ou vicia o cidadão

...cantou também lirismos singelos e nostálgicos...

Se a gente lembra pro lembra
O amor que a gente um dia perdeu
Saudade inté que assim é bom

           Um cantador de talento raro cujas cantigas não falavam apenas de animadas festas nordestinas, mais tarde conhecidas como forrós, nem só dos amores perdidos em arraiais juninos, mas também das tristezas e injustiças sociais de sua terra, mais Brasil que sertão.
         Esta não é a primeira vez que nos atrevemos a comparar Luiz Gonzaga a um quixotesco cantador que – com seus baiões, xotes, toadas, xaxados, côcos e xeréns – levou a árida realidade do Nordeste para um Sul que, na época, respirava os perfumados e tecnicoloridos sonhos musicais que Hollywood nos mandava a bordo da Política da Boa Vizinhança. Um cantador, acima de tudo, ousado.
           "Sozinho, como um Quixote de chapéu de couro – escrevemos no dia de sua morte – ousou furar a onda da música norte-americana que invadiu o Brasil, na década de 40, para mostrar ao país como de dançava o baião ou como se fazia um forró. Foi grande o bastante para transformar a lição em tradição. E mais: ensinou ao brasileiro o caminho da redescoberta de toda uma cultura nordestina, em baixa desde que os Turunas da Mauricéia saíram de moda em fins dos anos vinte. Fez tudo isso com grande personalidade e enorme talento".
         Para explicar melhor essa breve eulogia em forma de pensata, lembremos que os Turunas da Mauricéia foram dos muitos grupos nordestinos que, na década de vinte, invadiram o Sul do Brasil com sua música. Bem antes deles, já fazia sucesso na velha Capital da República um caboclo de nome poético e versos pernósticos que a primeira-dama do país Nair de Teffé, levara para cantar e tocar num recital no Catete: Catulo da Paixão Cearense. Um atrevimento tal que Ruy Barbosa, o principal adversário do presidente, marechal Hermes da Fonseca, proferira indignado discurso no Senado. Imaginem! Em vez de obras de Wagner e Chopin, ouviam-se em palácio... o corta-jaca e as modinhas de Catulo!
         A música popular – sobretudo a regional – seria, por muito tempo, alvo de semelhantes preconceitos no principal centro cultural do país. Catulo, para ser aceito, teve de copidescar seus versos, urbanizá-los, afiná-los pela estética preciosística dos modinheiros do começo do século. Transformou-se num sertanejo vestido a rigor. Já os grupos do tipo Turunas da Mauricéia, estes não foram aceitos nunca, a não ser pelas camadas mais populares. Enfeitaram os carnavais cariocas com seus ritmos, fizeram de Pinião a música mais cantada na folia de 1928, influenciaram jovens cariocas como Pixinguinha (que chegou a desfilar num bloco vestido de cangaceiro) e Almirante (fundador e líder do Bando de Tangarás, organizado para cantar modas de ciola, desafios, cocos, cateretês, emboladas), mas na verdade nenhum deles, grupos nordestinos, obteve as bênçãos das elites intelectuais, palacianas ou não.
         Com a eclosão do samba no fim da década – em especial a partir do surgimento dos bambas do Estácio, de gênios do morro como Cartola, de artistas do rádio como Ary Barroso, Lamartine Babo, João de Barro e Noel Rosa – a música nordestina entrou em longo e absoluto recesso. Pior que isso, passou a ser considerada de mau gosto. Em especial para uma crítica acadêmica (a mesma que hoje classifica de brega o popular vigente em universo social diferente do seu), a música nordestina era coisa menor, sem importância. Podia-se aceitar uma dupla caipira ou sertaneja nos moldes de Jararaca & Ratinho ou Alvarenga & Ranchinho. Mas só pelas piadas, pela graça, nunca pela música (pouco se davam conta, por exemplo, de que Ratinho era músico excepcional e que Ranchinho, se se levasse a sério, poderia ter sido ótimo letrista).
         Em 1940, com menos de cinco anos de existência, a PRE-8, Rádio Nacional do Rio de Janeiro, começaria a mudar esse quadro. Meio sem querer, é verdade, como se escrevendo certo por tortas linhas. A guerra já começara na Europa. Tendo em relação a ela uma posição de início ambígua, o presidente Getúlio Vargas confiava cada vez mais no projeto de seu colaborador Lourival Fontes: usar o rádio para, unindo culturalmente o país, uni-lo também politicamente. Em torno do próprio Vargas, claro. Pressionado a entrar na guerra, do lado que não era bem o de sua simpatia, o presidente viu a cultura do seu país – dentro dela a música popular – navegar por dois mares distintos: a Política da Boa Vizinhança, que os Estados Unidos nos mandavam na forma de jazz, filmes, big bands, Bing Crosby, suíngues, Frank Sinatra, your hit parade, tudo fazendo da música americana o modelo a seguir e influenciando maciçamente os compositores e intérpretes brasileiros; e o projeto da PRE-8 que, redescobrindo o Brasil para depois uni-lo culturalmente, tirava de limbos distantes o regionalismo musical do Norte e do Sul e reagia, meio sem querer, à Política da Boa Vizinhança. É neste ponto que entra em cena o nosso Quixote.
         Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu numa fazenda de Exu, Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912. Aprendeu a tocar vendo e ouvindo o pai, o sanfoneiro Januário, animar bailes nos sábados da cidade e consertar foles, harmônicos, pés-de-bode, ou de que outra forma se chamava lá o acordeom.Seu Januário e Dona Santana
         - Ficava por ali, desasnando – lembraria ele. – Na igreja de São João Batista, perto de 16 de junho, juntavam-se os tocadores do lugar. Sua música atraía o pessoal para as festas religiosas. Chegada essa época, eu ia pra lá, puxava assunto com o tocador, pedia pra experimentar o instrumento, a zabumba, a caixa, o pífano, a sanfona. Fui aprendendo.
         Por obra do acaso (e do amor) o jovem Lula logo emigrou para o Sul. Tinha dezoito anos quando se apaixonou por Nazarena, moça endinheirada do lugar. O pai dela, um certo Raimundo Deolindo, deixou claro, e fez questão de espalhar por toda Exu, que não a queria ver de namoro com aqueles "neguinho sem futuro". Ao saber disso, Lula tomou coragem (ou melhor, uma talagada de cana) e foi tirar satisfações com o pai da moça na feira de domingo, bem diante de todo o povo. Raimundo queixou-se à dona Santana, mãe de Lula: "Outro desrespeito desse, minha senhora, pode acabar em sangue", ameaçou. Dona Santana, Mais temerosa que zangada, não respeitou os dezoito anos do filho e deu-lhe uma surra. Humilhado e ofendido, o rapaz vendeu a sanfona, arrumou a trouxa e partiu.Luiz Gonzaga no Exército
          A primeira escala foi Fortaleza, onde Lula entrou para o Exército e tornou-se cabo corneteiro. Viajou muito. Andou por São Paulo, fez biscates, comprou sanfona nova, até que desembarcou no Rio de Janeiro disposto a ganhar a vida com música. Seu primeiro emprego na cidade foi no Mangue, zona de meretrício que, na época, ao lado de casas de quinta categoria, mantinha botequins iluminados, de razoável aparência, com arrasta-pés vespertinos e música ao vivo. Seu repertório, então, era composto de tangos, boleros, valsas, fox trors. Uma noite, depois de ouvi-lo, um estudante pernambucano de passagem disse-lhe:
         - Você toca muito bem, seu moço. Mas por que não ataca umas coisinhas lá da nossa terra pra matar a saudade. Deixa o tango pra lá. Olha, da próxima vez que a gente vier aqui, se você não tocar umas músicas nordestinas, não vai ter dinheiro no seu pires.
         Pensando em tudo aquilo, especialmente no dinheiro no pires, compôs dois chamegos, Pé de Serra e Vira e Mexe. Consciente de que o rádio era o principal veículo para a música naquele 1941, inscreveu-se no programa de calouros de Ary Barroso, solou o Vira e Mexe, ganhou o primeiro prêmio e, não muito depois, foi contratado pela Nacional.
         A famosa emissora realmente escreveu certo por tortas linhas. Tinha em seu cast – misturando a proposta getulista à da Boa Vizinhaça, numa polivalência cultural realmente impressionante – vários tipos de orquestra: sinfônica, de música brasileira, de tangos, de danças da moda, de ritmos caribenhos. E vários tipos de intérpretes: cantores de opereta, de baladas francesas, de fox trot, de bolero, de canções do Oeste americano vertidas para o português, mas também de samba, de choro e de toda sorte de gêneros regionalistas, o Pedro Raimundo das rancheiras dos Pampas, a Stelinha Egg do folclore central, as duplas caipiras de sotaque mineiro ou paulista e, naturalmente, o som nordestino do moço Luiz Gonzaga.
         Os preconceitos estavam longe de ser superados quando Lula e sua sanfona foram ouvidos pela primeira vez no auditório da PRE-8. Compenetrado no papel de representante da nordestinidade, ele tratou de vestir-se a caráter, alpercatas de couro, roupas de boiadeiro, chapéu de cangaço. Afinal, se Pedro Raymundo entrava no palco de bombachas para representar o Sul, se Ruy Rey trajava-se de rumbeiro e se Bob Nelson era caubói estilizado (enfeitado de revólveres, cartucheiras e tudo mais, para se transformar num Roy Rogers tupiniquim), por que não ele, Gonzaga, se vestindo à maneira do sertão? Floriano Faissal, diretor artístico da Nacional, protestou em nome do "bom gosto":
Luiz Gonzaga vestido de Cangaceiro         - Enquanto eu mandar nesta rádio, não permitirei que você apareça diante de nosso público vestido de bandido de Lampião.
         É evidente que Faissal acabaria mudando de idéia, mas não em antes obrigar Gonzaga a cantar, no maior desconforto, de smoking. Contra a vontade, e por motivos diferentes dos de Catulo, converteu-se num sertanejo vestido a rigor.
         Depois, vieram o sucesso, a glória, a força do talento derrubando preconceitos e reabrindo as portas do meio musical para o esquecido Nordeste. Em 1950, o baião já era tão ouvido no rádio quanto o samba, o bolero e os ritmos estrangeiros da moda. Muitos chegavam a pensar que aquela "nova dança"tinha sido inventada por Luiz Gonzaga e seus dois parceiros, Humberto Teixeira e Zédantas (na verdade, o baião, cujo nome deriva de baiano, já era conhecido em fins do século passado, e Januário deve tê-lo tocado em seu fole).
Humberto Teixeira e Zédantas nunca foram muito amigos. Gonzaga era o único elo entre eles, Teixeira, que apareceu primeiro, era advogado. Dantas, mais moço cinco anos, era médico. Os dois se interessavam por política, o primeiro elegendo-se deputado pelo partido de Adhemar de Barros e o outro orgulhando-se de ser "apenas um anônimo sertanista". Teixeira tinha uma ambição: universalizar a música nordestina, o que tantou fazer através da lei que levou o seu nome. Dantas preferia cantar as coisas do agreste. Foi o próprio Luiz Gonzaga quem melhor estabeleceu as diferenças entre os dois:
         - Humberto era mais mesclado com a cidade, com o asfalto. E Zédantas veio do sertão bravo. Eu costumava dizer que podia sentir o cheiro de bode na pessoa dele.
         Com Humberto Teixeira, Gonzaga fez No Meu Pé de Serra, Baião (Eu vou mostrar pra você como se dança o baião..."), Paraíba, Respeita Januário, Juazeiro, Xandusinha, Estreada de Canindé, Qui Nem Jiló, Assum Preto e a obra-prima dos sois, Asa Branca. Com Zédantas, fez Vem Morena, Cintura Fina, Forró de Mané Vito, 13 de Dezembro, Sabiá, Riacho do Navio, Imbalança, ABC do Sertão, São João na Roça, Noites Brasileiras, A Dança da Moda, O Xote das Meninas, A Volta da Asa Branca e Vozes da Seca.
         Durante todo esse tempo, os olhos atentos de Luiz Gonzaga viram muita coisa acontecer: sua música saindo e voltando ciclicamente à moda, Asa Branca esquecida e depois convertida em hino, jovens talentos surgindo (a geração de Caetano, Gil, Alceu, Moraes, baianos e pernambucanos novos mirando-se nele para reabilitar a nordestinidade e reinventá-la mais adiante). Incluía-se na mesma geração seu próprio filho, Luiz Gonzaga Jr., Algo renegado em menino (nasceu no morro de São Carlos, foi criado por amigos da mãe e só aos 16 anos se aproximou do velho), mas que logo cresceria para se escalar no primeiro time da música popular e acabar se unindo ao pai entre as estrelas de uma mesma constelação, Gonzaguinha um, Gonzagão outro.
         Nesse meio século, o Gonzaga pai jamais perdeu o prestígio. Teve praticamente uma única gravadora, a RCA Victor, hoje BMG, e nela perpetuou mais de mil canções, suas ou de outros. Pode ter saído do palco por momentos, mas perder o prestígio, nunca.
         - Sim, aí pelos anos sessenta, achei melhor me afastar – contaria ele. – A garotada estava crescendo muito. Era a época das guitarras, dos cabeludos. O rádio ia virando coisa do passado. E a imagem que a televisão queria mostrar ao seu público era de coisa mais sofisticada, nunca de um cangaceiro de chapéu esquisito, empunhando uma sanfona.
         Foi mas voltou logo. Para compor, tocar e cantar o quanto a saúde lhe permitiu. Andou alternando a música com atividades outras, como a de apaziguador de briga entre famílias rivais do sertão pernambucano (selou-lhes a paz tocando para elas em praça pública), visitas nostálgicas ou diplomáticas a Exu e um namoro com a política que não deu em casamento. Chegou a pensar em seguir as pegadas do parceiro Humberto, candidatando-se a deputado federal pelo PDS.
         - Mas vi que entrar na política com aquela idade (70 anos) era a mesma coisa que velho se casando com moça nova.
         Ficou com a sanfona de oito baixos e a voz soando a sertão. Sua música – que acabou triunfando sobre os altos e baixos das novidades do momento – continuou sendo o que sempre foi: autêntica, rica, poderosa, de espírito agreste e cheiro de terra. Uma música difícil de descrever, como acontece com as melhores artes populares, e de cuja grandeza o próprio Luiz Gonzaga parecia não ter muita consciência.
         Disse ele numa entrevista de 1971, quando mais uma vez o Brasil o redescobria:
         - É melhor vocês falarem de mim, porque eu mesmo não sei o que sou, não sei por que falam de mim. Eu mesmo não entendo nada, eu vou levando. Pra mim tanto faz. Que é bacana, é... Mas deixa o povo falar.
         Sanfona e voz silenciaram para sempre em 2 de agosto de 1989, em Recife, onde o coração do velho cantador, minado por seis meses de doença (a uma osteoporose seguiram-se vários tipos de infecção e uma pneumonia fatal), parou por volta das cinco e meia da manhã. Seu corpo, embalsamado, foi velado na capital, Juazeiro do Norte e na Exu natal, onde o sepultaram no fim da tarde.
         Gonzaga morreu quatro anos depois de tocar em Paris e dois depois de ganhar o Prêmio Shell de Música Popular, o fole de "mau gosto" fazendo-se ouvir entre as paredes nobres do Teatro Municipal. Morreu seis anos depois, enfim, daquele breve namoro com a política: "Serei um deputado feliz – disse ele na ocasião – se ajudar o Brasil a ter consciência de seu sertão". Como se sua música não o tivesse feito.

Nem Luiz Gonzaga acreditava na Asa Branca

Eterno clássico do povo nordestino, a canção foi tachada de "música de cego".

"Não boto muita fé nessa música, porque é muito lenta, cantiga de eito, de apanhá algodão", disse Luiz Gonzaga para Humberto Teixeira. O advogado cearense quis letrar aquela toada folclórica mostrada pelo amigo, mesmo com o receio dele. A grande parceria, que estava no início, rendeu então seu terceiro fruto. No próximo disco de Gonzaga, que traria a marchinha Vou Pra Roça no lado A, Asa Branca poderia entrar no lado B – os 78 rpm tinham uma música de cada lado.

Em 3 de março de 1947 estavam Gonzaga e Teixeira, mais a banda, para gravar as novidades no estúdio RCA, Rio de Janeiro. “Quando olhei a terra ardendo, qual fogueira de São João...”, entoou o vozeirão. Eis que um dos músicos pega um chapéu e vai passando entre os colegas. “O que é isso?”, perguntou Humberto. “É que isso parece música de cego pedir esmola!”, brincava o violonista Canhoto. Ele não se conformava que, depois de tanto sucesso, o Rei do Baião estivesse cantando “moda de igreja”.

Eu vou pra roça com muié e fio / Vivê pertinho do paiol de mío / Riscá a viola junto do paiol / A gente brinca até o nascer do sol
. Lembra dos versos? Remotamente, talvez. Assim que o disco foi lançado, Vou pra Roça passou totalmente despercebida. Mas Asa Branca estourou no ato, fazendo de Luiz Gonzaga um dos maiores astros da música brasileira.

Eterno clássico, hino do povo nordestino, a canção chegou a virar White Wings, em inglês. Teve mais de 500 regravações no mundo todo, em diferentes línguas. Humberto Teixeira gostava de lembrar: “Aquele dia, no estúdio RCA, os músicos que brincavam com a toada mal sabiam que estávamos gravando ali uma das páginas mais maravilhosas da música brasileira."

Mais um pouco da sua Biografia

No ano de 1930 saiu de casa para servir o exército como voluntário e viajou o Brasil como corneteiro, tocando sanfona em festas. Para ele foi uma fase também muito importante, foi quando teve realmente acesso às várias culturas que encontramos neste país e Luiz Gonzaga pode levar seu talento e sua cultura para várias regiões do país além de alegrar seus companheiros. 

No ano de 1939 saiu do exército e foi morar no Rio de Janeiro com sua primeira sanfona nova e tocava em festas na Lapa ou se apresentava nas ruas passando o chapéu. O homem simples não tinha vergonha de se apresentar na rua e foi assim, longe dos holofotes, longe dos palcos que ele começou sua carreira no Rio de Janeiro, tocando na rua, apenas um estranho, apenas mais um entre muitos que buscavam ganhar algum dinheiro para sobreviver na cidade maravilhosa. 

Mas seu talento era muito grande e logo começou a participar de programas de calouros e no programa de Ary Barroso na Rádio Nacional finalmente ganhou o primeiro lugar com sua música Vira e Mexe. Já nesta época Luiz Gonzaga atraia a atenção das pessoas, já tocava bem melhor, sua voz inconfundível dava nova tonalidade às canções e o ritmo não deixava ninguém ficar parado e tudo isto despertava a atenção das pessoas e começava já a chegar também nas rádios. 
Luiz Gonzaga ainda jovem.
No ano de 1943 ainda na Rádio Nacional começou a se vestir de vaqueiro nordestino e começou a parceira com Miguel Lima, transformando a música Vira e Mexe em Chamego que obteve bastante sucesso, recebendo nesta época o apelido de Lua do amigo Paulo Gracindo. Com Miguel Lima ele compôs várias músicas de sucesso, como Dança Mariquinha, Cortando Pano, Penerô Xerém, Dezessete e Setecentos gravados pelo sanfoneiro e cantor alcançando bastante sucesso.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Homenagem ao Centenário do Rei do Baião

Mais uma vez a RTV Produções realiza o filme de comemoração do São João para todo o Nordeste. Essa homenagem da Rede Globo Nordeste contou agora com desenhos da Quadro a Quadro e música da Onomatopéia, contando a história de Luiz Gonzaga, e seus 100 anos de inspiração para o São João do Nordeste.

Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira


O Sanfoneiro Luiz Gonzaga começou seu compromisso musical para com o povo brasileiro, iniciado desde sua infância com o pai, Seu Januário, de ano de 1941 a 1989 por ocasião de sua partida para a eternidade. Durante os 50 anos de sua vida musical teve 53 parceiros musicais, aproximadamente, dos quais o Sr. Dr. Humberto Teixeira fez parte destes, sendo o 7º parceiro do 'Sanfoneiro do Povo de Deus', parceria que duraria de 1946 a 1952. Assim como os demais, este, teve uma boa participação na parceria com 'Lua'. O 'Eterno Cantador' cantou ainda músicas de aproximadamente 198 compositores, contudo, com a grande preocupação se essas músicas, tinham realmente compromisso com o Nordeste. Tudo isso além de suas composições pessoais.
          Foi o 'Véio Macho' o primeiro a ter compromisso pelo Nordeste, conforme afirmara Veríssimo de Melo: "De raízes autenticamente nordestinas - justifica - sua música foi um grito de protesto e ao mesmo tempo de amor pela nossa região. Ninguém, antes deles, falou com maior propriedade insistentemente pela valorização do homem nordestino. Falou com o coração e com a música - as duas faces de sua sensibilidade de predestinado". Sua música não era falácia, mas um canto que brotava da realidade de cada homem brasileiro, em especial, do homem nordestino.
          O Soldado de Getúlio Vargas, de 1930 a 1939, queria ganhar a vida por meio da música, mas com uma música autenticamente brasileira, não precisando importar. Após passar pela zona violenta do Rio, o Mangue, e chegar a Rádio Nacional, ele queria cantar o Nordeste, conforme, afirmara à Dominique Dreyfus: "Eu queria cantar o Nordeste. Eu tinha a música, tinha o tema. O que eu não sabia era continuar. Eu precisava de um poeta que saberia escrever aquilo que eu tinha na cabeça, de um homem culto pra me ensinar as coisas que eu não sabia". O filho de Januário e Santana continuava a procurar um parceiro para que o completasse, vindo a ocorrer o encontro com Humberto Teixeira. O Doutor do Baião metrificava aquilo que Gonzaga tirava de forma ampla de seu matulão, que tinha trazido do Sertão, lá Nordeste para o Sul. O Moleque "amarelo, bochudo, cabeça de papagaio, zambeta, fei pá peste" finalmente estava se encontrando com o parceiro que sempre sonhara. Contudo, o Sr. Dr. Humberto Teixeira a princípio não pensava que estava fazendo uma parceria com o Maior Sanfoneiro Nordestino, Sua Majestade, o Rei do Baião.
         Ambos, antes do encontro, já tinham sua história musical: Humberto Teixeira entendia de flauta e bandolim, já tinha músicas gravadas tais como - valsas, cantigas, sambas, modinhas, toadas - nada tinha de especificamente nordestino; Luiz Gonzaga já tinha gravado e tocado mazurca, valsa, xamego, choro, polca, chorinho, picadinho, quadrilha, valsa/marcha, marcha, calando, embolada e xote. Vale ressaltar que xote ele tocava com Pai Januário lá no Araripe, mas ainda não tinha gravado. Desse encontro que duraria 5 anos de trabalho musical, a dupla Gonzaga/Teixeira produziu, compôs e gravou xote, toada, polca, baião, siridó, batucada, xaxado.
          Numa tarde de agosto de 1945, Gonzaga se encontra com Humberto Teixeira e manifesta a vontade de cantar o Nordeste, sanfonando temas tradicionais do Araripe, Exu. Então surge, flui, da dupla a música No Meu Pé de Serra, um xote autobiográfico, com melodia inspirada numa música do repertório de Seu Januário.
          Luiz Gonzaga anos mais tarde, no livro 'A Saga de Luiz Gonzaga de Dominique Dreyfus, relembra o encontro afirmando, falando da origem dessa música: "Lá no meu pé de serra/Deixei ficar meu coração/Ai que saudades eu tenho/Quero voltar pro meu sertão...". "Essa letra dizia a saudade que eu sentia do Nordeste". Será que ainda se pode negar que essa música não seja sentimento e enredo de Luiz Gonzaga, e que não tenha como fonte, o Araripe, o Nordeste? A parceria de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira tiveram outros clássicos, nos quais, quero destacar a música Asa Branca.
          Denise Dummont, filha do Dr. Humberto Teixeira o parceiro de Luiz Gonzaga na música Asa Branca, chegou a afirmar neste excelente veículo de comunicação do dia 20 de maio em curso, no Caderno Vida & Arte chegou a afirmar: "Todo mundo canta 'Asa Branca' e ninguém sabe quem foi Humberto Teixeira, quando na verdade ele foi grande compositor. Ele fez várias músicas sozinho. (...). A obra musical do papai ficou ofuscada pelo grande pernambucano Luiz Gonzaga. está na hora de trazer o papai à tona". Na verdade vivemos numa sociedade onde os valores culturais são na sua maioria esquecidos, mas, é preciso despertar e conservá-los em nossa sociedade hodierna.
          É preciso que fique claro que a música faz parte desses valores culturais em crise. Faço destaque a música de Luiz Gonzaga com seus parceiros e compositores que tinha um compromisso especial para com o Nordeste. Teria sido bem melhor se dona Denise Dummont ao falar da importância da música Asa Branca tivesse mencionado a parceria de Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira, conforme trazem os LPs. Pois essa música foi parceria dos dois, segundo depoimentos de Luiz Gonzaga: "Com Humberto Teixeira fiz Asa Branca, o Baião, Assum Preto, tantas músicas de minha sensibilidade e que ficarão comigo eternamente. Quando apresentei a música a Humberto falei para ele: Agora estou com vontade de fazer Asa Branca. Mas não boto muita fé, porque é muito lenta, cantiga de eito, de apanha de algodão. Humberto pediu para eu cantar a música, eu cantei e ele me convenceu a fazê-la".
          Luiz Gonzaga era conhecedor dessa riqueza musical porque ouvia o pai, Seu Januário tocar no seu fole de 8 baixos: "Asa Branca foi-se embora/ Bateu asa do Sertão/ Larará não chore não..." e o povo dava continuidade, completava o tema dado por Seu Januário. O Rei do Baião ainda relembra os momentos em que compunha com Humberto Teixeira, afirmando: "Quando eu quis me lembrar das coisas que tocava quando era menino, para Humberto Teixeira botar letra, eu tive certa dificuldade, não me lembrava muito". Tudo isso nos prova que Sr. Dr. Humberto Teixeira juntamente com Luiz Gonzaga deram letras aos temas que Gonzaga trazia lá do Araripe, a cantiga do povo.
          Gonzagão com sua intuição sertaneja que sempre acompanhara, falando sobre a contribuição que dá ao folclore, diz: "A pessoa não deve matar o tema, deve melhorá-lo. Asa Branca era folclore. Eu toquei isso quando era menino com meu Pai. Mas aí chega Humberto Teixeira e coloca: 'Quando olhei a terra ardendo/ Qual fogueira de São João... e se conclui um trabalho sobre Asa Branca". Humberto Teixeira, o Doutor do Baião, teve uma participação especial e importante em melhorar com Luiz Gonzaga o trabalho sobre Asa Branca, porém, ele não autoridade exclusiva sobre o tema. Esse clássico Gonzaga já conhecia desde a sua infância por meio da tradição oral. Também é necessário reconhecer que Humberto Teixeira fez outras músicas sozinho e com outros parceiros.
          Denise chegou afirmar ainda que Luiz Gonzaga tinha ofuscado a obra musical de seu pai, e que estava na hora de trazê-lo à tona. Realmente concordo que o Sr. Dr. Humberto Teixeira está esquecido, bem como, dá ênfase nos dias de hoje a importância dele na história musical, mas, não se deveria ofender, molestar a pessoa do Cantor e Sanfoneiro Luiz Gonzaga, in memoriam.
          O Rei do Baião jamais ofuscou Humberto Teixeira, pelo contrário, em setembro de 1968 lançou um LP homenageando o Parceiro, intitulado: Meus Sucessos com Humberto Teixeira; e em 1970 lançou: Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (Coleção História da MPB/ Abril Cultural). Como ainda se diz que Luiz Gonzaga ofuscou musicalmente Humberto Teixeira? Lamento muito, acho que a senhora Denise Dummont não foi tão feliz nessa colocação.
          Por volta de 1952 num determinado evento no Rio de Janeiro, Ademar de Barros foi cumprimentá-lo e disse, segundo depoimento do próprio Humberto Teixeira, "que eu era um bom orador e que eu deveria me candidatar. E que ia me dar uma legenda... eu acabei com uma suplência e depois me diplomando como deputado federal. Luiz Gonzaga estava na época em Rio Grande do Norte quando soube que eu estava me candidatando, e saiu de lá e veio me prestar uma ajuda maravilhosa, inclusive de transporte, gasolina. Eu não tinha dinheiro nenhum e posso dizer que foi Luiz Gonzaga que me colocou na deputação".
          O motivo, pela qual, parceria de Gonzaga/Teixeira chegou ao fim e num clima de grande amizade, segundo depoimentos de Dr. Humberto Teixeira: "Ora, existia uma lei que proibia um autor de uma sociedade fazer parceria com um compositor de Outra. Por isso, parou a parceria. Mas nada disso afetou a nossa amizade". Essa sociedade eram as associações de direitos autorais. Será que depois de tudo isso, Luiz Gonzaga teria ofuscado Dr. Humberto Teixeira.
          O folclorista Câmara Cascudo ao fazer referência à obra e a pessoa de Luiz Gonzaga, classifica-o de paisagem pernambucana, paisagem composta de água, matos, caminhos, silêncios, gente viva e morta. "O artista Gonzaga nunca se separou do homem sertanejo que jamais esqueceu suas raízes e cantou sua saudade e todo o amor que tinha pelo Sertão e seu povo. Tanto que sua obra é um verdadeiro acervo cultural do Nordeste, onde se encontra o perfil completo da Região com todos os seus personagens e os seus detalhes".
          Não dá para ficar calado. É necessário fazer justiça à obra e à pessoa que defendeu o Nordeste até a morte. Faço minhas as palavras de Nelson Barbalha: "Gonzagão, de saudosa memória, sustentou a peteca durante mais de meio século, sem jamais deixá-la cair no chão. Foi, é, e será inatingível. Muita gente o imita, ninguém o iguala. Era mesmo insubstituível". Ele era realmente "O Homem da Terra", "O Asa Branca da Paz".

                                                  Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Asa Branca - Roque Santeiro

Asa Branca é também o nome de uma cidade fictícia da telenovela Roque Santeiro (1985), exibida na Rede Globo, trata-se de uma cidade nordestina que vive graças aos negócios de Sinhozinho Malta, grande fazendeiro da região. A cidade tem uma igreja onde o padre Albano e a filha de Sinhozinho Malta mantém um romance proibido, um lupanar, a casa do prefeito, uma barbearia, a casa da viúva Porcina e de seu Zé das Medalhas e muitos outros estabelecimentos. A
cidade ainda é assombrada pelo lobisomem. Diz o público que a história quebra a rotina do horário, mostrando o Brasil brasileiro, tema bissexto na nossa televisão. A cidadezinha de Asa Branca, o coreto na praça e seus personagens meio caipiras acabam sendo mais exóticos do que o pseudo charme cosmopolita, pasteurizado em comportamentos de clichê. Roque Santeiro inova exatamente por esse caminho e por não ter caído na armadilha do novelão que costuma dar certo no horário. Nada de choro e soluço, muita gargalhada arrancada por um elenco escolhido com acerto. E um ritmo frenético da narrativa, sem as habituais esticadas de cena que deixam o espectador com a clara sensação de que está sendo engabelado.

Sucessos de Luiz Gonzaga

A dança da moda, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1950)
A feira de Caruaru, Onildo Almeida (1957)
A letra I, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
A morte do vaqueiro, Luiz Gonzaga e Nelson Barbalho (1963)
A triste partida, Patativa do Assaré (1964)
A vida do viajante, Hervé Cordovil e Luiz Gonzaga (1953)
Acauã, Zé Dantas (1952)
Adeus, Iracema, Zé Dantas (1962)
Á-bê-cê do sertão, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
Adeus, Pernambuco, Hervé Cordovil e Manezinho Araújo (1952)
Algodão, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
Amanhã eu vou, Beduíno e Luiz Gonzaga (1951)
Amor da minha vida, Benil Santos e Raul Sampaio (1960)
Asa-branca, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1947)   
Assum-preto, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1950) 
Ave-maria sertaneja, Júlio Ricardo e O. de Oliveira (1964)
Baião, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1946)
Baião da Penha, David Nasser e Guio de Morais (1951)
Beata Mocinha, Manezinho Araújo e Zé Renato (1952)
Boi bumbá, Gonzaguinha e Luiz Gonzaga (1965)
Boiadeiro, Armando Cavalcanti e Klécius Caldas (1950)
Cacimba Nova, José Marcolino e Luiz Gonzaga (1964)
Calango da lacraia, Jeová Portela e Luiz Gonzaga (1946)
O Cheiro de Carolina, - Sua Sanfona e Sua Simpatia - Amorim Roxo e Zé Gonzaga (1998)
Chofer de praça, Evaldo Ruy e Fernando Lobo (1950)
Cigarro de paia, Armando Cavalcanti e Klécius Caldas (1951)
Cintura fina, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1950)
Cortando pano, Jeová Portela, Luiz Gonzaga e Miguel Lima (1945)
De Fiá Pavi (João Silva/Oseinha) (1987)
Dezessete légua e meia, Carlos Barroso e Humberto Teixeira (1950)
Feira de gado, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1954)
Firim, firim, firim, Alcebíades Nogueira e Luiz Gonzaga (1948)
Fogo sem fuzil, José Marcolino e Luiz Gonzaga (1965)
Fole gemedor, Luiz Gonzaga (1964)
Forró de Mané Vito, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1950)
Forró de Zé Antão, Zé Dantas (1962)
Forró de Zé do Baile, Severino Ramos (1964)
Forró de Zé Tatu, Jorge de Castro e Zé Ramos (1955)
Forró no escuro, Luiz Gonzaga (1957)
Fuga da África, Luiz Gonzaga (1944)
Hora do adeus, Luiz Queiroga e Onildo Almeida (1967)
Imbalança, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1952)
Jardim da saudade, Alcides Gonçalves e Lupicínio Rodrigues (1952)
Juca, Lupicínio Rodrigues (1952)
Lascando o cano, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1954)
Légua tirana, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1949)
Lembrança de primavera, Gonzaguinha (1964)
Liforme instravagante, Raimundo Granjeiro (1963)
Lorota boa, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1949)
Moda da mula preta, Raul Torres (1948)
Moreninha tentação, Sylvio Moacyr de Araújo e Luiz Gonzaga (1953)
No Ceará não tem disso, não, Guio de Morais (1950)
No meu pé de serra, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1947)
Noites brasileiras, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1954)
Numa sala de reboco, José Marcolino e Luiz Gonzaga (1964)
O maior tocador, Luiz Guimarães (1965)
O xote das meninas, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
Ô véio macho, Rosil Cavalcanti (1962)
Obrigado, João Paulo, Luiz Gonzaga e Padre Gothardo (1981)
O fole roncou, Luiz Gonzaga e Nelson Valença (1973)
Óia eu aqui de novo, Antônio Barros (1967)
Olha pro céu, Luiz Gonzaga e Peterpan (1951)
Ou casa, ou morre, Elias Soares (1967)
Ovo azul, Miguel Lima e Paraguaçu (1946)
Padroeira do Brasil, Luiz Gonzaga e Raimundo Granjeiro (1955)
Pão-duro, Assis Valente e Luiz Gonzaga (1946)
Pássaro carão, José Marcolino e Luiz Gonzaga (1962)
Pau-de-arara, Guio de Morais e Luiz Gonzaga (1952)
Paulo Afonso, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1955)
Pé de serra, Luiz Gonzaga (1942)
Penerô xerém, Luiz Gonzaga e Miguel Lima (1945)
Perpétua, Luiz Gonzaga e Miguel Lima (1946)
Piauí, Sylvio Moacyr de Araújo (1952)
Piriri, Albuquerque e João Silva (1965)
Quase maluco, Luiz Gonzaga e Victor Simon (1950)
Quer ir mais eu?, Luiz Gonzaga e Miguel Lima (1947)
Quero chá, José Marcolino e Luiz Gonzaga (1965)
Padre sertanejo, Helena Gonzaga e Pantaleão (1964)
Respeita Januário, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1950)
Retrato de Um Forró,Luiz Ramalho e Luiz Gonzaga (1974)
Riacho do Navio, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1955)
Sabiá, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1951)
Sanfona do povo, Luiz Gonzaga e Luiz Guimarães (1964)
Sanfoneiro Zé Tatu, Onildo Almeida (1962)
São-joão na roça, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1952)
Siri jogando bola, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1956)
Tropeiros da Borborema, Raimundo Asfora / Rosil Cavalcante
Vem, morena, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1950)
Vira-e-mexe, Luiz Gonzaga (1941)
Xanduzinha, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1950)
Xote dos cabeludos, José Clementino e Luiz Gonzaga (1967)

sexta-feira, 30 de março de 2012

Escola de Samba homenageia Luiz Gonzaga em 2012

A Escola de Samba Unidos da Tijuca foi campeã de 2012, do grupo especial do Rio de Janeiro, onde acontece o Maior Carnaval do Brasil.A escola vencedora tem à sua frente o carnavalesco Paulo Barros e esse ano homenageou o pernambucano Luiz Gonzaga, o rei do bailão, e a cultura nordestina, com o enredo ‘O dia em que toda a realeza desembarcou na avenida para coroar o rei Luiz do sertão’.
Fotos:

Música - Asa Branca


Asa-branca (Patagioenas picazuro) ave que deu nome à canção.



Asa-Branca é uma canção de choro regional (popularmente conhecido como baião) de autoria da dupla Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, composta em 3 de março de 1947. Foi cantada por Luiz Gonzaga e posteriormente por vários artistas, entre eles:
  • Lulu Santos
  • Fagner
  • Caetano Veloso
  • Elis Regina
  • Tom Zé
  • Chitãozinho e Xororó e Ney Matogrosso
  • Badi Assad
  • Maria Bethânia
  • Gilberto Gil
  • Hermeto Pascoal
  • Quinteto Violado
  • Xangai
  • Zé Ramalho
  • Raul Seixas (Cantada em inglês)
O tema da canção é a seca no Nordeste brasileiro que é muito intensa, a ponto de fazer migrar até mesmo a ave asa-branca (columba picazuro, uma espécie de pombo). A seca obriga, também, um rapaz a mudar da região. Ao fazê-lo, ele promete voltar um dia para os braços do seu amor.
Há uma continuação de Asa Branca, intitulada A Volta da Asa Branca, que trata do retorno do retirante e de sua nova vida no Nordeste.
Asa Branca é também o nome de uma cidade fictícia da telenovela Roque Santeiro (1985), exibida na Rede Globo, trata-se de uma cidade nordestina que vive graças aos negócios de Sinhozinho Malta, grande fazendeiro da região. A cidade tem uma igreja onde o padre Albano e a filha de Sinhozinho Malta mantém um romance proibido, um lupanar, a casa do prefeito, uma barbearia, a casa da viúva Porcina e de seu Zé das Medalhas e muitos outros estabelecimentos. A cidade ainda é assombrada pelo lobisomem.

terça-feira, 27 de março de 2012

Cronologia da vida de Luiz Gonzaga

- CRONOLOGIA DA VIDA DE LUIZ GONZAGA
1909
No dia 13 de Dezembro, uma sexta-feira, nasce, na fazenda Caiçara, terras do barão de Exu, o segundo dos nove filhos do casal Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus, que na pia batismal da matriz de Exu recebe o nome de Luiz (por ser o dia de Santa Luzia) Gonzaga (por sugestão do vigário) Nascimento (por ter nascido em dezembro, também mês de nascimento de Jesus Cristo).                             
1915
Nasce no dia 05 de Janeiro, Humberto Cavalcanti Teixeira 
1920
Luiz Gonzaga, com apenas 8 (oito) anos de idade substitui um sanfoneiro em festa tradicional na fazenda Caiçara, no Araripe, Exu, a pedido de amigos do pai. Canta e toca a noite inteira e, pela primeira vez, recebe o que hoje se chamaria cachê; o dinheiro - 20$000 (vinte mil réis) - "amolece" o espírito da mãe, que não o queria sanfoneiro. A partir daí, os convites para animar festas - ou sambas, como se dizia na época - tornam-se freqüentes. Antes mesmo de completar 16 anos, "Luiz de Januário", "Lula" ou Luiz Gonzaga já é nome conhecido no Araripe e em toda a redondeza, como Canoa Brava, Viração, Bodocó e Rancharia.
1921
Em Carnaíba das Flores, município Pernambucano do sertão do Alto Pajeú, nasce em 27 de Fevereiro José de Souza Dantas Filho, que viria a ser um dos mais importantes parceiros na obra de Luiz Gonzaga.
1924
Houve uma grande cheia e o rio Brígida subiu de nível, inundando os arredores. A casa de Januário foi atingida, encheu de água, obrigando a família a se mudar. Foram morar no povoado do Araripe, na Fazenda Várzea Grande.
A pedido do coronel Manoel Ayres de Alencar, chefe político local, Luiz, já um caboclo taludo, vai com este a Ouricuri para tomar conta de cavalo. Chegando lá vê um fole Kock de oito baixos, marca Veado, pelo qual fica louco e passa a amolar o coronel por causa dele. No mês seguinte, repetindo a viagem, o político concorda em pagar a metade dos 120 mil réis do fole, desde que Luiz arque com o resto, o que fez sem muita dificuldade, pois a essa altura já estava  ganhando tanto ou mais que o pai, para tocar.
1926
Início real de sua vida artística, quando tocou seu primeiro "samba" ganhando dinheiro. Começou também a estudar no grupo de escoteiros de um sargento da polícia do Rio de Janeiro chamado Aprígio.  Seu amigo Gilberto Ayres, filho do Cel. Ayres, o convenceu a mudar-se para a cidade, deixando o Araripe. Hospedaram-se na casa de Dona Vitalina e o amigo Gilberto foi seu primeiro empresário.
1929
Conhece Nazarena, por quem se apaixona e com quem namora às escondidas. Rejeitado pelo pai da moça, de família importante, vai tirar satisfações da desfeita armado com uma faquinha, após uns goles de cana. Leva uma surra de Santana, e foge de casa para o Crato, no Ceará, onde vende sua sanfoninha de 8 baixos.
1930
Luiz Gonzaga aumenta sua idade para sentar praça no Exército, na cidade de Fortaleza. Com o advento da Revolução de 30 segue em missão militar pelo Brasil como soldado Nascimento. Mestre Januário consegue reaver a sanfona vendida no Crato por 80 mil réis, através de um amigo, o Sr. José Lindolfo. 
1931
Após o término do tempo legal de serviço militar, o soldado Nascimento escolhe continuar servindo no Exército, instituição que representou o papel de uma grande e importante escola. Nas horas vagas acompanhava, pelos programas de rádio, os sucessos musicais da época.
1933
Por não conhecer a escala musical, é reprovado num concurso para músico numa unidade do exército, em Minas Gerais. Vira soldado-corneteiro e ganha o apelido de “bico de aço”.
1936
Gonzaga aprende a tocar sanfona de 120 baixos em Minas Gerais, com um soldado de polícia chamado Domingos Ambrósio. Para treinar, adquire uma sanfona de 48 baixos e aproveita as folgas da caserna para tocar em festas.
1938
Gonzaga é ludibriado por um caixeiro-viajante, a quem paga 500 mil réis em prestações mensais para adquirir uma sanfona branca, Honner, de 80 baixos. Foge do quartel, em Ouro Fino (MG), para ir buscar a sanfona em São Paulo. Lá chegando, descobre que não vendiam sanfona no endereço que o caixeiro lhe dera. Ao retornar ao hotel onde se hospedara, acaba comprando uma sanfona igualzinha à que tinha ido buscar, pelo valor das prestações que faltavam pagar, 700 mil réis, e que ele havia arrecadado com a venda da sanfona de 48 baixos.
1939
Luiz Gonzaga dá baixa das Forças Armadas, impulsionado por um decreto que proibia para os soldados um engajamento superior a dez anos no Exército. Desembarca no Rio com bilhetes comprados para Recife, de navio, de onde pretendia voltar de trem para o Exu. Enquanto aguardava a chegada do navio que o levaria ao Recife, resolve conhecer o Mangue, o bairro boêmio vizinho. E lá, com sua sanfona Honner branca, faz sucesso tocando valsas, tangos, choros, foxtrotes e outros ritmos da época. Através de um músico amigo, o baiano Xavier Pinheiro, casado com uma portuguesa, Gonzaga vai morar no morro de São Carlos, à época tranqüilo reduto português no Rio.
Explode a segunda Guerra Mundial. O Brasil é literalmente invadido pela música estrangeira, principalmente a Norte Americana.Conhece o violonista Sepetiba. É o ano em que se apresenta pela primeira vez em um palco, no cabaré O Tabu na rua Mem de Sá.
1940
Como outros artistas disputa à duras penas um lugar ao Sol. Toca todo tipo de música, de Blues a Fox Trotes; imita artistas famosos da época, como Manezinho Araújo, Augusto Calheiros e Antenógenes Silva. Começa a apresentar-se em programas de rádio, como calouro. Luiz Gonzaga modifica o seu repertório, pressionado por estudantes cearenses, e consegue tirar nota máxima no programa Calouros em desfile, de Ary Barroso, na Rádio Tupi, executando a música Vira e Mexe, um “xamego” (chorinho) lá do seu pé-de-serra. Pouco tempo depois vai trabalhar com Zé do Norte no programa A hora sertaneja, na Rádio Transmissora. Chega ao Rio seu irmão José Januário Gonzaga (Zé Gonzaga), fugindo da seca devastadora e trazendo um pedido de ajuda por parte de Santana. Zé Gonzaga passa a morar com o irmão.
1941
5 de março. Data da primeira participação de Luiz Gonzaga numa gravação da Victor, atuando como sanfoneiro da dupla Genésio Arruda e Januário França, na “cena cômica” A viagem de Genésio. Seu talento chama a atenção de Ernesto Augusto Matos, chefe do setor de vendas da Victor. E no dia 14 de março Luiz Gonzaga grava, assinando pela primeira vez como artista principal, e exclusivo da Victor, quatro músicas que são lançadas em dois 78 rotações.
É publicada a primeira reportagem sobre Luiz Gonzaga na revista carioca Vitrine, com o título Luiz Gonzaga, o virtuoso do acordeom.  Ainda em 41, Gonzaga grava mais dois 78 rotações.
O sucesso havia chegado, e Gonzaga já era chamado como “o maior sanfoneiro do nordeste, e até do Brasil”.
O Estado Novo comemora seu quarto aniversário. Vai ao ar a primeira radionovela brasileira: Em Busca da Felicidade.
Nos anos seguintes grava cerca de 30 discos 78 rpm, muitos choros, valsas e mazurcas, todos em solo pois a Victor insiste em não lhe permitir cantar em seus discos, que até então eram só instrumentais. Inicia na Rádio Clube do Brasil para onde foi levado por Renato Mource, substituindo Antenógenes Silva no programa Alma do Sertão. A firma era na época a Victor.
Também neste ano conheceu César de Alencar na Rádio Clube do Brasil, quando o mesmo era o locutor do programa Alma do sertão sob o comando de Renato Mource. Foi quando apareceu Dino, violonista de sete cordas que tinha a mania de apelidar todo mundo. Ao ver a cara redonda de Luiz Gonzaga Dino imediatamente o chamou de Lua.
Nasce em Garanhuns José Domingos de Morais que viria a ser o sanfoneiro Dominguinhos, de quem Luiz Gonzaga se tornou um segundo pai e que o tratava como "pai impostor". Luiz Gonzaga começa a fazer sucesso e as emissoras de rádio a se interessar, de fato, pelo novo cartaz. Enquanto isso, o Brasil declara guerra à Alemanha e seus aliados.
1943
Trazido pelas mãos do radialista Almirante - que também foi responsável pela descoberta de Gonzaga - o sanfoneiro catarinense Pedro Raimundo estréia na Rádio Nacional com suas roupas de gaúcho. Inspirado nele, Gonzagão passa a se apresentar vestido de nordestino. Nessa época, irritado com a interpretação dada por Manezinho Araújo para a sua "Dezessete e Setecentos", parceria com Miguel Lima, o sanfoneiro passa a cantá-la. Chovem cartas pedindo que ele continue cantando.
1944
É despedido da Rádio Tamoio e, imediatamente, contratado por Cr$ 1.600,00 pela Rádio Nacional, onde o então radialista Paulo Gracindo divulga seu apelido "Lua", por causa do seu rosto redondo e rosado. Ataulfo Alves e Mário Lago são os destaques do ano na área musical, com Atire a Primeira Pedra.
1945
Consegue  então o que desejava. Grava seu primeiro disco tocando e cantando, a mazurca Dança Mariquinha, parceria com Miguel Lima, primeira gravação  com o dito e chama a atenção pelo timbre de voz e desenvoltura no cantar. Nesse mesmo ano, e ainda em parceria com Lima grava outros dois discos interpretando Penerô Xerém e Cortando Pano.
Querendo dar um rumo mais nordestino para suas composições, Gonzagão procura o maestro e compositor Lauro Maia, para que este coloque letras em suas melodias. Maia porém apresenta-lhe o cunhado, o advogado cearense Humberto Cavalcanti Teixeira, com quem Luiz Gonzaga viria a compor vários clássicos.
No dia 22 de setembro, nasce de uma relação com a cantora Odaléia Guedes dos Santos o Seu filho Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior
1946
No mês de outubro o conjunto Quatro Ases e um Coringa, da Odeon, acompanhado pela sanfona de Luiz Gonzaga, grava a segunda parceria de Gonzaga e Humberto Teixeira, a música Baião, sucesso em todo país.
Depois de receber a visita de Santana, Gonzaga volta à sua terra, Exu, após 16 anos ausente. No retorno para o Rio, passa pela primeira vez no Recife, participando de vários programas de rádio e muitas festas. Nesse momento conhece Sivuca, Nelson Ferreira, Capiba e Zé Dantas, estudante de medicina, músico por vocação, apaixonado pela cultura nordestina.
1947
Luiz Gonzaga grava em março o 78 rpm que se tornaria um clássico da música brasileira: a toada Asa Branca, sua terceira parceria com Humberto Teixeira, inspirado no repertório de tradição oral nordestina.
A partir desse ano, Luiz Gonzaga adota o chapéu de couro semelhante ao usado por Lampião, a quem tinha verdadeira admiração, à sua apresentação artística, - embora a Rádio Nacional ainda não o permitisse apresentar-se ‘como cangaceiro’ nos seus programas - assumindo, ao mesmo tempo em que também plasmava, a identidade nordestina no cenário nacional.
Num domingo de julho, Gonzaga conhece na Rádio Nacional, a contadora Helena das Neves Cavalcanti, e a contrata para ser sua secretária. Rapidamente o namoro acontece, e Gonzaga pensa em casar.
Neste ano aconteceu o primeiro encontro de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, no Recife.
1948
No dia 16 de junho Luiz Gonzaga e Helena casam-se no Rio de Janeiro, e passam a morar, juntamente com a mãe de Helena, dona Marieta, no bairro de Cachambi.
1949
Aproveitando uma folga entre as gravações, Luiz Gonzaga leva a esposa e sogra para conhecerem o Araripe, e sua terra Exu. Porém, interrompem a viagem quando estavam no Crato, por causa das desavenças e mortes entre os Sampaio e os Alencar. A grande violência que marcava a disputa entre os clãs rivais ameaçava sua família, ligada aos Alencar. Preocupado, Gonzaga aluga uma casa no Crato, para onde leva seus pais e irmãos, enquanto preparava a mudança de sua família para o Rio de Janeiro, o que ocorreu ainda em 49.
1950
Em janeiro, o médico formando Zé Dantas chega ao Rio, a fim de prestar residência no Hospital dos Servidores, para alegria de Gonzaga, que vai esperá-lo na plataforma da estação de trem. Nesse ano, Luiz Gonzaga lançou, gravando ou cedendo para outros intérpretes, mais de vinte músicas inéditas, a maioria parcerias com Humberto Teixeira e Zé Dantas que se tornariam clássicos da MPB. Em junho lança a música A dança da moda, parceria com Zé Dantas que retratava a febre nacional pelo baião.
1951
Luiz Gonzaga já era o consagrado ‘Rei do Baião’, e o advogado Humberto Teixeira o ‘Doutor do Baião’!
Em maio Luiz Gonzaga sofre um grave acidente de carro, junto com seus músicos: João André Gomes, apelidado Catamilho, do zabumba, e Zequinha, do triângulo, o que motivou a composição Baião da Penha e uma reportagem especial na revista O Cruzeiro.
Humberto Teixeira candidata-se a Deputado Federal, e recebe o apoio do parceiro.
Durante todo o ano de 51 Gonzaga foi convidado permanente da série No Mundo do Baião, produzido por Zé Dantas, parte das atrações do Departamento de Música Brasileira da Rádio Nacional, cuja direção era de Humberto Teixeira. Gonzaga havia aproximado os dois parceiros, mas essa convivência era difícil e durou pouco tempo.
Foi No Mundo do Baião que Luiz Gonzaga coroou, com chapéu de couro, Carmélia Alves como Rainha do Baião. Ela interpretava o baião com acompanhamento de orquestra, e levava a música do Rei para as boates e ambientes da elite.
Um jornal carioca publica que "Luiz Gonzaga velho e superado, acaba de assinar contrato com uma firma para viajar pelo Brasil". Puro preconceito, pois Gonzaga reinou soberano de 45 a 55, 56. As 17 prensas da RCA Victor trabalhavam exclusivamente para ele.
Em março deste ano encerrou seu contrato com a Rádio Nacional e firmou um novo com a Rádio Mayrink Veiga, mesmo oficialmente vinculado à Rádio Cultura de São Paulo.
1952
Outubro de 1952, data do 71º disco da carreira de Gonzaga, o último 78 rpm com Humberto Teixeira, músicas já lançadas em anos anteriores.
Hervê Cordovil é apresentado à Gonzaga por Carmélia Alves, e tornam-se parceiros.
Luiz Gonzaga e Helena adotam uma menina: Rosa Maria.
1953
Catamilho é afastado por Gonzaga do seu conjunto, e Zequinha o acompanha. Gonzaga contrata Jurai Nunes, o Cacau, para tocar zabumba, e Oswaldo Nunes Pereira, o Xaxado para o triângulo. Mais tarde, por causa de sua baixa estatura, Xaxado seria apelidado de Salário Mínimo.
1954
Luiz Gonzaga reencontra Neném, mais tarde Dominguinhos, aos 14 anos, no Rio de Janeiro.
Gonzagão convida Jackson do Pandeiro e sua mulher Almira, para morarem no Rio de Janeiro. Fariam grande sucesso com seus cocos e são considerados o lado urbano da música nordestina, enquanto Gonzaga seria o agreste. 
Já no Sertão Pernambucano, em Serrita, nas Caatingas do sítio Lages, era encontrado morto, no dia 08 do mês de Julho, o vaqueiro Raimundo Jacó, primo de Luiz Gonzaga, fato que depois viria a originar a Missa do Vaqueiro.
1955
Luiz Gonzaga grava seus primeiros discos compactos de 45 rpm.
Também neste mesmo ano gravou o seu primeiro LP de 10 polegadas, 33 rpm, pela RCA Victor. Uma Compilação dos disco de 78 RPM.
Luiz Gonzaga apresenta o trio formado por Marines, Abdias e Chiquinho, que ficou conhecido como Patrulha de Choque Luiz Gonzaga.
1956
A Lei 1544/56, de autoria do então Deputado Federal Humberto Cavalcanti Teixeira, que limita a execução de músicas estrangeiras no Brasil é aprovada.
Começo das tentativas de aproximação do vaqueiro Zé Marcolino - José Marcolino com o Rei do Baião, através de correspondências que, segundo o próprio nunca chegaram às suas mãos. O encontro pessoal se daria mais tarde no ano de 1960.
Marinês é coroada Rainha do Xaxado na Rádio Mayrink Veiga.
A cantora japonesa Keiko Ikuta grava as músicas Baião de Dois e Paraíba.
1957
Grava o primeiro disco com composição de Onildo Almeida. Em um lado A Feira de Caruaru e no outro Capital do Agreste de Onildo Almeida e Nelson Barbalho.
1958
Começa o apogeu da Bossa Nova com João Gilberto, Tom Jobin, Vinícius e outros. O movimento cresce com adesão de Carlos Lira, Roberto Menescal, Baden e outros mais. Luiz Gonzaga por sua vez gravou seu primeiro LP de 12 polegadas, 33 rpm. Pela RCA Victor. XAMEGO
1960
11 de junho: morre Santana, vitimada pela doença de Chagas, no Rio de Janeiro.
05 de novembro: Januário, aos 71 anos, casa-se com Maria Raimunda de Jesus, 32 anos, no Exu.
Gonzaga participa, gratuitamente, da campanha de Jânio Quadros à Presidência da República.
1961
Luiz Gonzaga entra para a Maçonaria. Neste ano compõe com Lourival Silva e grava Alvorada de Paz, em homenagem ao então Presidente da República Jânio Quadros, que renunciaria sete mêses após assumir a Presidência.
Conheceu pessoalmente José Marcolino - o Zé Marcolino, de quem gravaria depois várias obras.
Gonzaguinha vai morar com o pai em Cocotá, Rio de Janeiro.
Luiz Gonzaga torna-se maçom, e sofre outro acidente de carro, ferindo gravemente o seu olho direito.
1962
11 de março: morre Zé Dantas, aos 41 anos.
Luiz Gonzaga conhece João Silva.
1963
De sua parceria com Nelson Barbalho grava A Morte do Vaqueiro no mesmo ano conhece o poeta popular cearense Patativa do Assaré . O clima político é tenso, e os brasileiros decidem em plebiscito a volta do sistema presidencialista.
Luiz Gonzaga teve sua sanfona Universal, preta, roubada. Antenógenes Silva, seu amigo e afinador, lhe empresta uma sanfona branca. A partir de então, adota a cor branca para suas sanfonas, e a inscrição “É do povo” em todos os seus instrumentos.
1964
Grava a composição A Triste Partida de Patativa do Assaré. O sucesso é total principalmente junto ao nordestino que vive no Sul. Grava também, no LP O Sanfoneiro do Povo de Deus a primeira composição de Gonzaguinha, "Lembrança de Primavera".
1965
Asa Branca é gravada por Geraldo Vandré em seu Lp "Hora de Lutar". Gilberto jovem, um compositor jovem da Bahia começa a citar Luiz Gonzaga em suas entrevistas, como uma de suas maiores influências. Mais adiante Luiz Gonzaga gravaria duas composições de Vandré (Para Não Dizer Que Não Falei das Flores e Fica Mal Com Deus), como retribuição.
1966
Sinval Sá lança o livro O Sanfoneiro do Riacho da Brígida - Vida e Andanças de Luiz Gonzaga - O Rei do Baião. O sanfoneiro é impedido de cantar no festival FIC 66, a música São os do Norte Que Vêm, de Capiba e Ariano Suassuna.
1968
Um pouco fora de destaque no cenário musical, Luiz Gonzaga viu seu nome novamente em ascensão depois que, nesta ano, Carlos Imperial espalhou no Rio de Janeiro que o conjunto Inglês The Beatles acabara de gravar a música Asa Branca. Não era verdade, mas foi o que bastou para que Gonzaga voltasse às manchetes. E por um longo tempo Gonzaga sempre falou em entrevistas, do interesse "dos cabeludos de Liverpool por essa música". Luiz Gonzaga é destaque na 1ª edição da Revista Veja, em 11 de setembro, com a matéria Gonzaga: a volta do Baião.
Luiz Gonzaga conhece Edelzuíta Rabelo numa festa junina em Caruaru.
1970
Para os anos 70 estava reservada a explosão dos ritmos estrangeiros, particularmente o Rock'n'roll, oriundo dos anos 50, onde encontrava defensores como Cely e Tony Campelo, Carlos Gonzaga, etc. Era a presença em nossa música os Beatles, ingleses. Dos Estados Unidos chegava a música de Elvis Presley. No Brasil era a vez de Roberto Carlos que já vinha com o seu programa Jovem Guarda. Carlos Imperial, Erasmo Carlos etc., davam força ao movimento.
1971
Lança o LP "O Canto Jovem de Luiz Gonzaga". O produtor Rildo Hora alega que "este disco não é para sucesso e sim uma homenagem para a juventude.” Em Londres Caetano Veloso grava Asa Branca, assim como Sérgio Mendes e seu Brasil 77. É o ano do primeiro contato do então desconhecido Fagner com Luiz Gonzaga, no Rio. O sanfoneiro apresenta-se em Guarapari fazendo sucesso entre os hippies de então.
Foi também do ano de 1971 que, por iniciativa do Padre João Câncio, com o apoio do cantor Luiz Gonzaga - primo de Raimundo Jacó - e pelo poeta Pedro Bandeira, famoso repentista do Cariri, realizou-se a primeira Missa do vaqueiro, no sítio Lages, na cidade de Serrita, em pleno sertão Pernambucano, como homenagem a Raimundo Jacó, que teria sido morto morto por um companheiro, e principalmente em forma de tributo ao vaqueiro nordestino. Mas a principal preocupação do Pe. Joâo Câncio era trazer de volta para a igreja os vaqueiros. Com a celebração o Padre Vaqueiro conseguiu ver seu desejo realizado.
1972
Pelas mãos de Capinam apresenta o espetáculo "Luiz Gonzaga Volta Para Curtir" no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro. Sob a direção de Jorge Salomão e Capinam, o delírio é total, e é a primeira vez que Gonzagão enfrenta uma platéia somente de jovens.
1973
Deixa a RCA Victor e passa para a Odeon, por um breve espaço de tempo, embalado pelo sucesso reconquistado.  Tenta lançar sua candidatura a deputado Federal pelo então MDB mas desiste logo da idéia, quando sentiu que os votos que obteria seria em troca de favores. Inezita Barroso grava Asa Branca como também o cantor grego Demis Roussos, sob nome de White Wings, com letra em inglês.
O então Governador de Pernambuco Eraldo Gueiros Leite, seriamente preocupado com o clima de discórdia e violência reinante em Exu, pediu para que Luiz Gonzaga tentasse apaziguar os conflitos entre famílias tradicionais daquela cidade. Neste mesmo ano por iniciativa da Prefeitura do Município de Serrita, foi erigida a estátua de Raimundo Jacó, esculpida por Jota Mendes, artista de Petrolina.
Também neste ano grava seu primeiro LP pela Emi Odeon.
1974
É construído o Parque Nacional do Vaqueiro, e criada em 24 de Outubro desse mesmo ano a Associação dos Vaqueiros do Alto Sertão Pernambucano.
1975
Luiz Gonzaga reencontra Edelzuíta, o grande amor da fase final de sua vida.
1976
O Projeto Minerva dedica um especial à obra de Luiz Gonzaga. Neste mesmo ano grava seu primeiro compacto simples de 33 rpm pelo selo Jangada, com a música  Samarica Parteira de Zé Dantas. A música ocupou as duas faces do disco.
1977
Estréia no  "Seis e Meia", no Teatro João Caetano ao lado de Carmélia Alves. O sucesso é total, inclusive com grande afluência de jovens ao Teatro.
1978
É lançado no mercado um disco como forma de menção especial a Luiz Gonzaga, - a Grande Música do Brasil, a Grande Música de Luiz Gonzaga, pela Copacabana, produzido por Marcus Pereira com arranjos e direção de orquestra a cargo do maestro Guerra Peixe. É uma versão sinfônica de clássicos da obra de Luiz Gonzaga. Foi também o ano da morte de Januário, no dia 11 de Junho.
1979
Morre o compositor, advogado e instrumentista Humberto Teixeira.  E Luiz Gonzaga grava o Disco Eu e Meu Pai em homenagem a Januário.
1980
Em Fortaleza, depois de ser literalmente atropelado pêlos seus fãs e por fiéis da igreja, Luiz Gonzaga canta para o Papa João Paulo II. Recebe do sumo pontífice a expressão - Obrigado Cantador. Foi um dos mais emocionantes e gratificantes momentos da vida do sanfoneiro, que novamente pensou em candidatar-se a política, mas desistiu aconselhado por amigos.
1981
A RCA Victor presta-lhe significativa homenagem pelo marco de seus 40 anos de carreira, com o lançamento do disco A Festa:
Apresenta-se no festival de verão do Guarujá, na praia de Pitangueiras, ao lado do veterano  Osmar Macedo, co-fundador do Trio Elétrico Dodô e Osmar. Neste mesmo ano visita o então Presidente da República Aureliano Chaves, pedindo-lhe que intervenha em Exu, devido às rixas entre as famílias Saraiva, Alencar e Sampaio, fato que acontece poucos dias depois terminando com uma rivalidade que já durava alguma décadas.
E através do decreto do poder executivo estadual  7.549, de 09 de novembro de 1981, foi nomeado interventor de Exu o major PM Jorge Luiz de Moura, decreto este publicado no Diário Oficial número 209, do dia 10 de novembro.
Grava Junto com Gonzaguinha o Disco Descanso em Casa , Moro no Mundo. Os dois fizeram juntos incríveis apresentações por todo Brasil.
1982
Atendendo convite da cantora Nazaré Pereira, viaja para a França apresentando-se em Paris no teatro Bobinot. A cantora fazia sucesso com a música Cheiro da Carolina e decidiu levar o Rei para a França o conhecer. Na platéia, entre outros, estavam Maria Bethânia, Celso Furtado e o ex-ministro Nascimento e Silva.
A partir desse ano, Luiz Gonzaga passa a assinar como Gonzagão quase todos os seus disco, forma como havia sido chamado por ocasião de sua turnê com Gonzaguinha.
1983
Lança o disco 70 anos de sanfona e simpatia.
1984 
Gonzaga recebe o primeiro disco de Ouro com o LP Danado de Bom, no qual tinha João Silva por principal parceiro, e que receberia um segundo Disco de Ouro em seguida. João Silva seria seu grande parceiro, a partir de então. Gonzaga recebe o Prêmio Shell.
Luiz Gonzaga canta no disco de Gal Costa - Profana em uma faixa em homenagem a Jackson do Pandeiro. Grava seu primeiro LP com o Cearense Raimundo Fagner.
1985
É agraciado com o troféu Nipper de Ouro. Além dele, somente o cantor Nelson Gonçalves recebe tal troféu.
1986
Luiz Gonzaga participa do festival de música brasileira na França, Couleurs Brésil, evento que inaugura o programa dos anos Brasil-França 86-88. O Rei do Baião apresentou-se na Grande Halle de La Villette no show de encerramento, junto com outros artistas brasileiros, para um público aproximado de 15 mil pessoas.
O LP Forró de Cabo a Rabo, deu a Luiz Gonzaga dois discos de ouro.
1987
Luiz Gonzaga, o Gonzagão, recebe pela RCA o primeiro disco de platina de sua carreira, com o LP Forró de Cabo a Rabo, lançado em 1986.
1988
A RCA Victor lança uma caixa luxuosa com cinco LPs, batizada de 50 Anos de Chão, produzida por José Miltom, cobrindo a carreira de Gonzaga desde as primeiras gravações instrumentais. Fagner produz o segundo LP de encontro com o Rei.
Luiz Gonzaga assina contrato com a gravadora Copacabana, que lançaria os últimos quatro LPs de sua carreira.
Em junho pede o desquite, separa-se de Helena, e assume o relacionamento com Edelzuíta Rabelo.
1989
Grava seu primeiro LP pela Copacabana, seguidos de mais três LPs, que seriam os últimos de sua carreira.  No dia 06 de Junho, Luiz Gonzaga sobe pela última vez num palco, com o auxílio de uma cadeira de rodas. A platéia presente no teatro Guararapes no Centro de Convenções no Recife não podia prever que não mais veria o Velho Lua. Ao lado de Dominguinhos, Gonzaguinha, Alceu Valença e vários outros amigos e parceiros, e desobedecendo à ordens médicas. Luiz Gonzaga morreu no dia 02 de Agosto de 1989, às 05.15hs, no Hospital Santa Joana, no Recife, onde dera entrada há 42 dias. Seu corpo foi velado na Assembléia Legislativa do Estado e o Governo de Pernambuco decretou luto oficial por três dias.  
No dia 13 de dezembro, Gonzaguinha, Fagner, Elba Ramalho, Domiguinhos, Joãozinho do Exu e Joquinha Gonzaga cantam à meia noite parabéns para Luiz Gonzaga, em  Show realizado em Exu. Nesse mesmo dia, pela manhã, foi inaugurado em Exu por Domiguinhos e Gonzaguinha o Museu do Gonzagão